A poesia por detrás da vida. E a vida por detrás da poesia. É sempre necessário que a voz quando calada possa transmitir sua intensidade através das palavras... Hildelene Dantas

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Que tipo de escritor é alguém que não consegue passar as idéias para o papel, não consegue começar do começo ou tão pouco começar a primeira frase.
Que tipo de escritor é esse que não sabe a posição das palavras e nem as suas classes, que usa qualquer linguagem para se referir a qualquer coisa.
Que tipo de escritor é esse que não sabe o enredo da história e que inventa na hora os personagens e o todo que vai existir.
Que tipo de escritor é esse que está mais preocupado com a opinião dos que vão ler sua obra, do que com a vida da sua criação, que vai se perdendo no espaço das linhas digitas ou escritas, tantos faz, eles se perderam mesmo a cada folha virada.
Que tipo de escritor é esse que não sabe a continuação, que vai tirando e pondo sem nenhum problema, uma fala aqui outra ali.
Que tipo de autor é esse que imagina o livro como se fosse um realidade igual a sua.
Que tipo de autor é esse que vive sonhando acordado e quando dorme pensa que está acordado, porém está é sonhando.
Que tipo de escritora sou eu que não consigo colocar nada na última linha, que não sei o final da história, que imaginei um mundo só para mim, mais não sei como ele termina..
Que tipo de escritora sou eu, que ando brigando com folhas em branco...
Que tipo de escritora sou eu, que me deixei perder pelos vazios da folha em branco...
E que tipo sou eu ... que nem conseguir terminar o texto aqui... [continua]

Etc...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

E foi neste palco que muitas vezes subi...
Foi neste palco que muitas vezes recitei versos abertos
E coberto de amor ou de dor.
Foi aqui que imaginei um mundo...
Um mundo meu, sozinha e sem nada...
Somente pensamentos e palavras...
Frases e versos mal acabados...
Sentimentos que me faziam morrer e viver...
“Quebre a perna”. Dizia alguém atrás da cortina vermelha...
Eram apenas os fantasmas de uma época tão distante da minha...
De uma vida tão mais excitante do que a minha...
E neste palco de cortina vermelha...
De assentos mal conservados...
De platéia muda...
De sorrisos cortados, de vozes abafadas...
E de olhos vendados...
A única coisa que existia eram os ouvidos...
Parados, atentos ao próximo ato...
Matei a vida, assim como Romeu e Julieta...
Joguei as tranças da imaginação assim como Rapunzel...
Dancei num lago como os cines...
Encontrei um amigo soldado, assim como o quebra nozes...
E nesse meu palco da vida...
Vou ensaiando e contracenando comigo mesma...
Os mais belos contos...
De uma infância que nunca acaba, até que a cortina vermelha do meu palco se feche.