
A vida prossegue sem pouco mudar
Todo dia volto para o mesmo lugar
Pra encontrar os mesmos rostos
Que, no entanto, permanecem
contendo algo de inéditos,
E que de algo novo carecem
Todo dia com as mesmas companhias
Que tão pouco conheço de fato
Sempre distantes para senti-las
nem sequer através do tato
Formalismo e conversas superfulas
Relações sem intimidade e frias
Companheiros apenas da futilidade
Do porre alcoólico num bar imundo
Da busca irracional por sexo
Das engraçadas piadas sem nexo
Do violão como música de fundo
Das andanças sem finalidade
Apesar do prazer de toda a diversão
Ainda assim ataca-me a solidão
E uma monotonia permanente
E sempre em estado latente
Se, mesmo com tanta gente
Entediado, apesar de sempre ocupado
Quero ver beleza jovial diferente
Em pensamentos novos ficar distraído
Quero acumular experiência
Da rotina jé estou sem paciência
Quero conhecer quem me conheça
E que, por algumas breves falas,
minhas verdades interiores, reconheça,
Que minha consciência tanto calas.
Quero o sabor fresco da novidade
E alguém que me conheça na totalidade
Para suportar o avanço da idade
E, quem sabe, obter algum prazer
Dar algum sentido ao meu ser
Assim, talvez, obterei a tal felicidade

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